{"id":445,"date":"2018-05-03T14:18:41","date_gmt":"2018-05-03T14:18:41","guid":{"rendered":"http:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/?p=445"},"modified":"2019-01-02T14:20:20","modified_gmt":"2019-01-02T14:20:20","slug":"desafios-a-igreja-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/2018\/05\/03\/desafios-a-igreja-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Desafios \u00e0 Igreja do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Ponta Delgada, 3 de Maio de 2018<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Come\u00e7o por agradecer o am\u00e1vel convite feito pela Senhora Presidente do Clube Rot\u00e1rio de Ponta Delgada para estar presente neste encontro quer se reveste da maior honra para mim. O tema que me foi proposto \u00e9 t\u00e3o abrangente quanto dif\u00edcil de limitar. Contudo manifesta algo de importante porque nos faz saltar do momento presente e projectarmos o olhar para o futuro de modo que nos sintamos a percorrer caminhos que nos conduzem a uma sociedade mais humana.<\/p>\n<p>Desde logo pe\u00e7o a vossa benevol\u00eancia para o facto de limitar a minha reflex\u00e3o a um conjunto de propostas que julgo serem dos maiores desafios. Eis os aspectos que abordarei: estamos num novo per\u00edodo da hist\u00f3ria; estamos numa \u00e9poca que reclama sabedoria; urge interpretar os sinais dos tempos; duas consequ\u00eancias: um novo humanismo e uma nova ordem social; a promo\u00e7\u00e3o de uma nova cultura: a prioridade aos pobres; a defesa da vida; a valoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia; a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz; a edifica\u00e7\u00e3o da sociedade na aut\u00eantica liberdade religiosa; cuidar de uma ecologia integral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Estamos num novo per\u00edodo da hist\u00f3ria<\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 cerca de cinquenta anos o Concilio Vaticano II referia-se ao per\u00edodo hist\u00f3rico que estamos a viver como um verdadeiramente novo na hist\u00f3ria da humanidade. Diz ele que \u00aba humanidade vive hoje uma fase nova da sua hist\u00f3ria, na qual profundas e r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es se estendem progressivamente a toda a terra\u00bb. E, acrescenta sublinhando que \u00abprovocadas pela intelig\u00eancia e actividade criadora do homem, elas reincidem sobre o mesmo homem, sobre os seus ju\u00edzos e desejos individuais e colectivos, sobre os seus modos de pensar e agir, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas como \u00e0s pessoas\u00bb.\u00a0 Finalmente, refere que \u00abde tal modo que podemos j\u00e1 falar duma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o social e cultural, que se reflecte tamb\u00e9m na vida religiosa\u00bb (GS, 4).<\/p>\n<p>Esta constata\u00e7\u00e3o a que o Concilio compara a uma crise de crescimento deve ser tomada a s\u00e9rio. H\u00e1 um mundo novo que est\u00e1 a abrir-se perante a humanidade.<\/p>\n<p>Este facto leva S. Jo\u00e3o Paulo II na Enciclica \u00abNovo Millenio Ineunte\u00bb a definir como programa para este novo mil\u00e9nio a descoberta da figura de Jesus de Nazar\u00e9. Diz-se nesse documento que \u00abcomo aqueles peregrinos de h\u00e1 dois mil anos os homens do nosso tempo, talvez sem se darem conta, pedem aos crentes de hoje n\u00e3o s\u00f3 que lhes \u201cfalem\u201d de Cristo, mas tamb\u00e9m que de certa forma lh&#8217;O fa\u00e7am \u201cver\u201d\u00bb. E acrescenta-se a interroga\u00e7\u00e3o que real\u00e7a o seguinte: \u00abe n\u00e3o \u00e9 porventura a miss\u00e3o da Igreja reflectir a luz de Cristo em cada \u00e9poca da hist\u00f3ria, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto tamb\u00e9m diante das gera\u00e7\u00f5es do novo mil\u00e9nio? \u00bb (n\u00ba23).<\/p>\n<p>E, nesse mesmo documento sublinha-se que \u00abJesus \u00e9 o \u201chomem novo\u201d (cf. Ef 4,24; Col 3,10), que convida a humanidade redimida a participar da sua vida divina\u00bb (n\u00ba 23).<\/p>\n<p>Para a Igreja, tomar consci\u00eancia da nova fase da hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 igualmente uma exig\u00eancia de oferecer a Jesus de Nazar\u00e9 como o \u00abhomem novo\u00bb e Aquele que oferece a resposta ao enigma da vida humana. Neste sentido refere o Concilio: \u00abo mist\u00e9rio do homem s\u00f3 no mist\u00e9rio do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente\u00bb (GS, 22).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Estamos numa \u00e9poca que reclama Sabedoria<\/li>\n<\/ol>\n<p>O progresso gerado pela intelig\u00eancia humana oferece \u00e0 humanidade possibilidades e meios nunca alcan\u00e7ados. Esta constata\u00e7\u00e3o gera um certo fasc\u00ednio que nem sempre ajuda a reconhecer a aut\u00eantica felicidade humana.<\/p>\n<p>Volto ao Concilio para recolher a afirma\u00e7\u00e3o que diz: \u00abmais do que os s\u00e9culos passados, o nosso tempo precisa de uma tal sabedoria, para que se humanizem as novas descobertas dos homens\u00bb. Mais ainda, \u00abest\u00e1 amea\u00e7ado, com efeito, o destino do mundo, se n\u00e3o surgirem homens cheios de sabedoria\u00bb (GS, 15).<\/p>\n<p>Deste modo reconhecemos que \u00aba natureza espiritual da pessoa humana encontra e deve encontrar a sua perfei\u00e7\u00e3o na sabedoria, que suavemente atrai o esp\u00edrito do homem \u00e0 busca e amor da verdade e do bem, e gra\u00e7as \u00e0 qual ele \u00e9 levado por meio das coisas vis\u00edveis at\u00e9 \u00e0s invis\u00edveis\u00bb (Ib. 15).<\/p>\n<p>A sabedoria s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se o homem souber articular todas as suas dimens\u00f5es integrando-as no amor como n\u00facleo central do conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Urge interpretar os Sinais dos Tempos<\/li>\n<\/ol>\n<p>Segundo o pensamento Conciliar o Espirito de Deus que actua na Igreja est\u00e1 presente tamb\u00e9m no meio do mundo de modo que, pela Sua ac\u00e7\u00e3o, no meio de contradi\u00e7\u00f5es e ambiguidades, vai-se edificando o Reino de Deus que se traduz na Paz, na justi\u00e7a, no bem, no bom, na verdade, no amor e na beleza.<\/p>\n<p>\u00c0 Igreja, sacramento Universal de Salva\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, sinal deste Reino, compete-lhe interpretar os sinais que Deus oferece no meio do mundo para reconhecer a edifica\u00e7\u00e3o deste Reino Novo. Eis as palavras do Concilio: \u00abpara levar a cabo esta miss\u00e3o, \u00e9 dever da Igreja investigar a todo o momento os sinais dos tempos, e interpret\u00e1-los \u00e0 luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada gera\u00e7\u00e3o, \u00e0s eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e da futura, e da rela\u00e7\u00e3o entre ambas\u00bb. Mais ainda, \u00ab\u00e9, por isso, necess\u00e1rio conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperan\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es, e o seu car\u00e1cter tantas vezes dram\u00e1tico\u00bb (GS, 4).<\/p>\n<p>Na proposta de di\u00e1logo entre a Igreja e o mundo, a interpreta\u00e7\u00e3o dos sinais dos tempos \u00e9 certamente das realidades mais prementes e necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Duas consequ\u00eancias: um novo humanismo e uma nova ordem social<\/li>\n<\/ol>\n<p>A modernidade pretendeu exaltar o homem e torna-lo centro de toda a realidade que acabou por isol\u00e1-lo e coarct\u00e1-lo de v\u00e1rias das suas dimens\u00f5es. Reduzindo-o \u00e0 sua dimens\u00e3o material, temporal e racional indiciou a nova \u00e9poca, a post-modernidade que desvalorizou o ser humano de tal modo que nem a raz\u00e3o tem poder para alcan\u00e7ar a verdade. Esta d\u00e1 lugar ao relativismo, ao fragment\u00e1rio, ao ef\u00e9mero, ao presente imediato (\u2026).<\/p>\n<p>Perdem-se as certezas dos grandes relatos que projectavam um sentido global da exist\u00eancia pessoal e social. Estamos perante o que o Papa Francisco chama a cultura do descart\u00e1vel. At\u00e9 o pr\u00f3prio homem \u00e9 descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>Imp\u00f5e-se assim a edifica\u00e7\u00e3o de um novo humanismo que reconstrua o homem na globalidade do seu ser e na valoriza\u00e7\u00e3o de todas as suas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir da pergunta \u00abquem \u00e9 o homem, o Concilio refere que \u00abEle pr\u00f3prio j\u00e1 formulou, e continua a formular, acerca de si mesmo, in\u00fameras opini\u00f5es, diferentes entre si e at\u00e9 contradit\u00f3rias\u00bb. Na verdade \u00absegundo estas, muitas vezes se exalta at\u00e9 se constituir norma absoluta, outras se abate at\u00e9 ao desespero\u00bb. E acrescenta: \u00abda\u00ed as suas d\u00favidas e ang\u00fastias\u00bb. Deste modo, \u00aba Igreja sente profundamente estas dificuldades e, instru\u00edda pela revela\u00e7\u00e3o de Deus, pode dar-lhes uma resposta que defina a verdadeira condi\u00e7\u00e3o do homem, explique as suas fraquezas, ao mesmo tempo que permita conhecer com exactid\u00e3o a sua dignidade e voca\u00e7\u00e3o\u00bb (GS, 12).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s referir a consci\u00eancia como o santu\u00e1rio onde Deus fala ao homem e o faz reconhecer o bem e o mal, o Concilio exalta a liberdade como factor da dignidade humana. Assim, \u00ab\u00e9 s\u00f3 na liberdade que o homem se pode converter ao bem\u00bb. De facto, \u00abos homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a raz\u00e3o\u00bb. Mais ainda, \u00abmuitas vezes, por\u00e9m, fomentam-na dum modo conden\u00e1vel, como se ela consistisse na licen\u00e7a de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade\u00bb. Sem d\u00favida, \u00aba liberdade verdadeira \u00e9 um sinal privilegiado da imagem divina no homem\u00bb (GS, 17).<\/p>\n<p>Perante as doutrinas que negaram a transcend\u00eancia do homem, o Concilio resume a dignidade humana dizendo \u00aba raz\u00e3o mais sublime da dignidade do homem consiste na sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 uni\u00e3o com Deus\u00bb. Na realidade, \u00ab\u00e9 desde o come\u00e7o da sua exist\u00eancia que o homem \u00e9 convidado a dialogar com Deus: pois, se existe, \u00e9 s\u00f3 porque, criado por Deus por amor, \u00e9 por Ele por amor constantemente conservado; nem pode viver plenamente segundo a verdade, se n\u00e3o reconhecer livremente esse amor e se entregar ao seu Criador\u00bb (GS, 19).<\/p>\n<p>Quando \u00e0 nova ordem social refiro apenas duas frases, uma do Papa S. Jo\u00e3o Paulo II e outra do Papa Francisco.<\/p>\n<ol>\n<li>Jo\u00e3o Paulo II, na Carta Apost\u00f3lica citada atr\u00e1s, refere num dado passo: \u00abo nosso mundo come\u00e7a o novo mil\u00e9nio, carregado com as contradi\u00e7\u00f5es dum crescimento econ\u00f3mico, cultural e tecnol\u00f3gico que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 margem do progresso, mas a bra\u00e7os com condi\u00e7\u00f5es de vida muito inferiores ao m\u00ednimo que \u00e9 devido \u00e0 dignidade humana\u00bb (NMI, 50). Termina sublinhando que \u00abdevemos procurar que os pobres se sintam, em cada comunidade crist\u00e3, como \u201cem sua casa\u201d\u00bb(Ib. 50).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por sua vez o Papa Francisco, convidando a escutar o clamor dos pobres, afirma que \u00abn\u00e3o se fala apenas de garantir a comida ou um decoroso \u201csustento\u201d para todos, mas \u201cprosperidade e civiliza\u00e7\u00e3o em seus m\u00faltiplos aspectos\u201d\u00bb. Na verdade, \u00abisto engloba educa\u00e7\u00e3o, acesso aos cuidados de sa\u00fade e especialmente trabalho, porque, no trabalho livre, criativo, participativo e solid\u00e1rio, o ser humano exprime e engrandece a dignidade da sua vida\u00bb. E, ainda, \u00abo sal\u00e1rio justo permite o acesso adequado aos outros bens que est\u00e3o destinados ao uso comum\u00bb (EG, 192).<\/p>\n<p>\u00c9 do Papa Francisco a c\u00e9lebre e interpelante frase que diz: \u00abEsta economia mata\u00bb (EG, 53). Com ele devemos dizer \u00abn\u00e3o a uma economia da exclus\u00e3o e da desigualdade social\u00bb.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>A promo\u00e7\u00e3o de uma nova cultura<\/li>\n<\/ol>\n<p>No contexto de uma nova cultura a edificar sublinharia alguns \u00e2mbitos a privilegiar: a prioridade aos pobres; a defesa da vida; a valoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia; a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz; a edifica\u00e7\u00e3o da sociedade na aut\u00eantica liberdade religiosa.<\/p>\n<p>O Papa Francisco lan\u00e7a alguns desafios \u00e0 cultura actual quando diz que \u00abna cultura dominante, ocupa o primeiro lugar aquilo que \u00e9 exterior, imediato, vis\u00edvel, r\u00e1pido, superficial, provis\u00f3rio. O real cede o lugar \u00e0 apar\u00eancia. Em muitos pa\u00edses, a globaliza\u00e7\u00e3o comportou uma acelerada deteriora\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes culturais com a invas\u00e3o de tend\u00eancias pertencentes a outras culturas, economicamente desenvolvidas mas eticamente debilitadas\u00bb (EG, 62).<\/p>\n<p>E, acrescenta \u00abo processo de seculariza\u00e7\u00e3o tende a reduzir a f\u00e9 e a Igreja ao \u00e2mbito privado e \u00edntimo. Al\u00e9m disso, com a nega\u00e7\u00e3o de toda a transcend\u00eancia, produziu-se uma crescente deforma\u00e7\u00e3o \u00e9tica, um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo; e tudo isso provoca uma desorienta\u00e7\u00e3o generalizada, especialmente na fase t\u00e3o vulner\u00e1vel \u00e0s mudan\u00e7as da adolesc\u00eancia e juventude\u00bb (EG, 64).<\/p>\n<p>E, ainda, \u00abevangelizamos tamb\u00e9m procurando enfrentar os diferentes desafios que se nos podem apresentar. \u00c0s vezes, estes manifestam-se em verdadeiros ataques \u00e0 liberdade religiosa ou em novas situa\u00e7\u00f5es de persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os, que, nalguns pa\u00edses, atingiram n\u00edveis alarmantes de \u00f3dio e viol\u00eancia. Em muitos lugares, trata-se mais de uma generalizada indiferen\u00e7a relativista, relacionada com a desilus\u00e3o e a crise das ideologias que se verificou como reac\u00e7\u00e3o a tudo o que pare\u00e7a totalit\u00e1rio\u00bb (EG, 61).<\/p>\n<p>No contexto de uma nova cultura tomar\u00e1 relevo o respeito pela vida humana desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural e a fam\u00edlia, rela\u00e7\u00e3o entre homem e mulher, inserindo tudo o que tem a ver com a fecundidade em \u00e2mbito de casal fruto de amor e rela\u00e7\u00e3o conjugais.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a e a paz ser\u00e3o, sem d\u00favida outros elementos fundamentais para uma nova cultura como fica j\u00e1 acentuado acima.<\/p>\n<p>Concluo com a refer\u00eancia ao desafio de uma ecologia integral.<\/p>\n<p>O Papa S. Jo\u00e3o Paulo II tinha j\u00e1 referido que neste pr\u00f3ximo mil\u00e9nio a ecologia seria uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es para toda a humanidade e sobretudo para a comunidade eclesial. Tomemos as suas palavras que nos lan\u00e7am a interroga\u00e7\u00e3o: \u00abcomo ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico, que torna inabit\u00e1veis e hostis ao homem vastas \u00e1reas do planeta?\u00bb (NMI, 51).<\/p>\n<p>J\u00e1 o Papa Francisco premiou-nos com um bel\u00edssimo e profundo texto que nos ajuda a todos a cuidar da ecologia integral e bem fundamentada. Cito apenas um pequeno par\u00e1grafo que diz: \u00abo urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupa\u00e7\u00e3o de unir toda a fam\u00edlia humana na busca de um desenvolvimento sustent\u00e1vel e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar\u00bb (LS, 13). E, acrescenta, \u00ablan\u00e7o um convite urgente a renovar o di\u00e1logo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas ra\u00edzes humanas dizem respeito e t\u00eam impacto sobre todos n\u00f3s\u00bb (LS, 14).<\/p>\n<p>Ultimamente deu-se um despertar para as quest\u00f5es ecol\u00f3gicas. Contudo falta uma vis\u00e3o global e sobretudo uma verdadeira fundamenta\u00e7\u00e3o do que respeita \u00e0 cria\u00e7\u00e3o para que ela seja tida como patrim\u00f3nio oferecido \u00e0 humanidade para servir a todos e por isso ser cuidada por todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Concluo com a consci\u00eancia de que muito fica por dizer. Falar sobre os desafios que se colocam \u00e0 Igreja no s\u00e9culo XXI s\u00e3o vastos e quase inumer\u00e1veis. Reduzi a alguns que julgo que s\u00e3o mais englobantes e nos quais se situam muitas interpela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De prop\u00f3sito n\u00e3o sublinhei assuntos demasiado internos \u00e0 Igreja porque reconhe\u00e7o que a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 olhar para o mundo, em atitude de di\u00e1logo, e reconhecer como seus os desafios que se colocam \u00e0 sociedade. N\u00e3o rejeito a necessidade de a Igreja se repensar continuamente a si mesma. Por\u00e9m esta exig\u00eancia \u00e9-lhe apresentada em ordem \u00e0 sua miss\u00e3o evangelizadora.<\/p>\n<p>Muito obrigado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>+Jo\u00e3o Lavrador, Bispo de Angra e Ilhas dos A\u00e7ores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta Delgada, 3 de Maio de 2018<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=445"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/445\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":446,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/445\/revisions\/446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/icc.diocesedeangra.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}